terça-feira, 24 de maio de 2016

Dúvidas sobre o uso do GH (Hormônio de Crescimento)


Tirando Dúvidas sobre Uso de GH

O GH é um hormônio de crescimento e está presente em todas as pessoas. Ele é produzido pela glândula hipófise, situada na base do crânio, e é muito importante para o crescimento desde os primeiros anos de vida. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o uso deste hormônio, o site da SBEM conversou com o Dr. Cesar Boguszewski, diretor do Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM, e com a Dra. Margaret Cristina da Silva Boguszewski, professora de Endocrinologia Pediátrica da UFPR, autora do livro “Como os Nossos Filhos Crescem” publicado pela Editora Campus, de onde algumas respostas foram tiradas. Confira:

Normalmente, até quantos anos uma pessoa pode crescer? Existe diferenciação entre homens e mulheres?
Muitas pessoas acreditam que os jovens crescem até os 18 ou até os 21 anos de idade, associando crescimento com maioridade legal. Entretanto, esta não é a realidade. O crescimento é um processo bastante dinâmico que inicia na concepção e se estende até a vida adulta, ocorrendo em intensidades variáveis nas diferentes fases da vida de uma criança e de um adolescente. Cada pessoa irá crescer enquanto seus ossos tiverem cartilagens de crescimento não calcificadas, independentemente da idade cronológica que ela apresente. O amadurecimento e a calcificação destas cartilagens de crescimento dependem principalmente da puberdade. Tomemos como exemplo dois jovens de mesma idade cronológica, porém em diferentes estágios de puberdade: aquele com um desenvolvimento mais avançado da puberdade provavelmente terá as cartilagens mais calcificadas e mais próximo de parar de crescer do que o outro que está apenas na fase inicial da puberdade. Da mesma maneira, uma menina de 10 anos de idade que esteja com as mamas desenvolvidas, com pêlos pubianos e já apresentou a primeira menstruação deve parar de crescer antes do que uma menina de 12 anos de idade que esteja apenas iniciando o desenvolvimento mamário. Este grau de amadurecimento das cartilagens pode ser avaliado com uma radiografia das mãos e dos punhos para avaliação da “idade óssea”.

Há diferença entre meninos e meninas. Nos meninos, a puberdade e o estirão de crescimento começa em média 2 anos mais tarde do que nas meninas. Essa “demora” prolonga o crescimento antes da puberdade, que associado com um estirão mais intenso e um período de crescimento mais prolongado no sexo masculino, resulta que os homens sejam em média 13 cm mais altos que as mulheres.   

Quando é recomendado o uso de GH?
O tratamento de reposição (substituição) com GH está indicado em todo indivíduo, independente da faixa etária, que apresente deficiência da produção de GH pela hipófise. A deficiência de GH pode ter início na infância (nanismo hipofisário) ou na vida adulta, consequente, por exemplo, a um tumor da hipófise. Na infância, o GH também pode ser benéfico na baixa estatura em meninas com Síndrome de Turner, em crianças nascidas pequenas para a idade gestacional, nos portadores da Síndrome de Prader-Willi, em crianças com insuficiência renal crônica, entre outros.

Até que idade pode ser feito o uso de GH?
Em geral, nas crianças com baixa estatura causada pelas diferentes etiologias em que o uso de GH está aprovado, o tratamento pode ser feito até que se atinja a estatura final planejada. Em geral, isso não se baseia na idade cronológica, mas sim na idade óssea e na velocidade de crescimento que a criança está apresentando. Naqueles em que o tratamento foi iniciado em decorrência da deficiência de GH, que pode se manifestar desde os primeiros anos de vida, ou naqueles que desenvolveram a deficiência posteriormente (por exemplo, em decorrência de um tumor na glândula hipófise), o GH pode ser iniciado no momento do diagnóstico da deficiência, e muitas vezes é mantido por toda a vida.

Como é feito o tratamento com GH?
O tratamento com GH é feito através de injeções diárias, aplicadas ao deitar, por via subcutânea (isto é, na gordura) nas coxas, braços, nádegas ou abdome. Não existem preparações em formas de comprimidos, sprays, supositórios ou adesivos.
 
O uso de GH pode gerar efeitos colaterais? Quais são eles?

Em geral, quando usado sob orientação médica o tratamento com GH é bem tolerado e tem poucos efeitos colaterais. Reações locais da aplicação são raras mas podem ocorrer. Raramente o uso de GH pode causar hipertensão intracraniana benigna (“síndrome do pseudotumor cerebral”), que cursa com dor de cabeça, vômitos, alterações visuais, agitação ou alterações da marcha (do ato de andar).  Em adultos, os principais efeitos colaterais se relacionam com retenção de água que o GH pode promover, causando inchaço, dores articulares ou musculares, e formigamentos de extremidades, geralmente relacionados com a síndrome do túnel do carpo.

Existem casos em que este tratamento não pode ser utilizado?
O GH não deve ser utilizado em portadores de neoplasias (tumores) malignos em atividade, pacientes com crescimento não controlado de tumores intracranianos benignos, em portadores de diabetes descompensado e naqueles com retinopatia diabética, pacientes aguda e criticamente enfermos por complicações após cirurgia cardíaca, cirurgia abdominal, trauma acidental múltiplo ou insuficiência respiratória aguda.           

Há métodos cirúrgicos para crescimento?
Existem procedimentos cirúrgicos para alongamento ósseo, utilizados principalmente quando existe alguma deformidade óssea associada. Pacientes que sofreram algum trauma ósseo, tumor, mal-formações, entre outras situações em que a cirurgia não apenas favorece o alongamento ósseo mas corrige também as deformidades. A cirurgia apenas para aumentar a altura geralmente não é recomendada. 
Quem pode recomendar o uso de GH? Ele é vendido apenas com prescrição médica?
Idealmente, o uso terapêutico de GH deve ser indicado por médico endocrinologista ou endocrinologista pediátrico, que são capacitados para isto. Entretanto, qualquer médico pode prescrevê-lo e ele deve ser vendido sob prescrição e supervisão médica.                                                 

Quanto tempo dura o tratamento para crescimento?
Depende da causa da baixa estatura, da resposta que se está obtendo e da presença de cartilagens de crescimento que permitam continuar o tratamento. Em uma criança com diagnóstico de deficiência de GH desde os primeiros anos de vida, o tratamento pode ser mantido por muitos anos até atingir a altura adulta.
 
Em que casos o uso de GH deve ser interrompido?
Quando a resposta não é a esperada, na presença de efeitos adversos, ou quando o paciente não quer mais o tratamento.

Quando os pais podem perceber que uma criança apresenta problemas de crescimento? Existem indicações?
Toda criança deve ser medida e pesada pelo menos uma vez ao ano. Desta forma se tem uma avaliação contínua do crescimento e qualquer desvio do normal será percebido rapidamente. Este acompanhamento regular deveria ser seguido rigorosamente por todos.

Fatores genéticos podem influenciar na altura final de uma pessoa?
Sim. A altura de uma pessoa é resultado da combinação de vários genes (“herança poligênica”) oriundos de seu pai e de sua mãe. Em geral, temos 50% de chance de ter uma altura semelhante à do pai ou da mãe, irmãos tem 50% de chance de ficarem com alturas semelhantes e 25% de semelhança pode ser esperado em relação a altura de avós e tios. Em gêmeos monozigóticos (“idênticos”), cuja carga genética é a mesma, a altura final será praticamente igual, desde que ambos passem pelas mesmas condições ambientais ao longo do período de crescimento. Entretanto, se um deles tiver algum problema nutricional ou alguma doença crônica, ele poderá perder altura e ficar mais baixo em relação ao outro que não enfrentou condições desfavoráveis.

A prática de atividades físicas contribui com o crescimento?
Exercícios físicos são excelentes e recomendados para todas as crianças por diversas razões. Além dos benefícios sobre o peso, a musculatura e a mineralização óssea, a atividade física pode corrigir vícios de postura e, com isso, melhorar a estatura de uma criança. Entretanto, a atividade física por si não deve mudar o padrão de crescimento ou mudar a altura que a criança atingirá na vida adulta. Portanto, atividade física deve ser estimulada, mas não deve ser indicada como solução ou tratamento para um problema de crescimento. Além disso, atividade física extenuante ou muito intensa (geralmente praticada por atletas de nível olímpico) pode prejudicar o desenvolvimento puberal e o crescimento de uma criança.
 
Qual a relação entre o uso de GH e a prática de exercício físico? Eles podem ser feitos em conjunto?

A criança em tratamento com GH pode praticar todas as atividades esportivas, sem restrição, a não ser que exista alguma restrição pela doença de base. Quanto ao local da aplicação, a medicação é aplicada antes de dormir a noite, de forma que a criança ficará em repouso após a aplicação e não deverá ter atividade muscular que interfira na absorção da droga.

Além do uso de GH, quais as outras alternativas que podem contribuir para o crescimento?
O GH é uma medicação e como tal é uma opção apenas naquelas situações onde comprovadamente ocorrerá um benefício com o tratamento. Da mesma forma, alternativas de tratamento dependem da causa do crescimento inadequado: anemia, hipotireoidismo, entre outros. Quando não existe doença, uma vida saudável, alimentação adequada, atividade física, horas de sono suficiente, tudo favorece um crescimento saudável.

fonte: http://www.endocrino.org.br/tirando-duvidas-sobre-uso-de-gh/

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Obesidade é Doença? Como prevení-la


Antes de tudo, se você tem filho, SEJA O EXEMPLO. Fazer junto é muito melhor do que dizer o que fazer.

Comer bem pode ser divertido!
Escolha um dia para que as crianças participem da preparação das refeições. Leve-os à feira-livre, por exemplo. Faça o preparo dos alimentos em conjunto. Faça a refeição à mesa, com a família reunida. Se possível, planeje as demais refeições. Faça listas de supermercado, para não exagerar nas compras. Tenha frutas, verduras e legumes em casa, à disposição, e visíveis para as crianças.

Gastar energia, brincando!
Ajude seus filhos a praticar atividades que requeiram esforço físico. Promova uma corrida de bicicleta, leve-os ao parque, junte os amiguinhos para jogos de futebol. Limite o tempo da TV, do computador ou smartphones. Essas atividades roubam tempo precioso que poderia ser usado para se exercitar.

Beber água é fundamental para ter mais saúde!
Evite bebidas açucaradas. Não espere a criança ter sede para oferecer água, vá oferecendo aos poucos, ao longo do dia.

Soninho Bom!
Criar uma rotina de sono é essencial para garantir mais saúde para o seu filho. Dormir bem ajuda a prevenir sobrepeso e obesidade. Os estudos científicos comprovam!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mitos e Verdades sobre Diabetes


Mito: Diabetes não é uma doença tão séria
Qual é a verdade?
 
Se você controlar o diabetes adequadamente, você pode prevenir ou adiar as complicações. De acordo com uma pesquisa realizadas nos Estados Unidos, as condições associadas ao diabetes causam mais mortes do que o câncer de mama e a Aids, juntas. Duas em cada três pessoas com diabetes morrem em função de problemas cardiovasculares ou derrame.

Mito: Se você está acima do peso ou obeso, um dia vai desenvolver Diabetes Tipo 2
Qual é a verdade?
 
Estar acima do peso é, sim, um fator de risco para Diabetes Tipo 2, mas há outros, como a história familiar e a idade. Muitas pessoas acham que o sobrepeso é o único fator. Mas atenção: muitas pessoas magras ou com peso normal têm diabetes e muitas pessoas com sobrepeso nunca desenvolvem a doença.

Mito: É muito fácil saber se você tem diabetes, os sinais são claros
Qual é a verdade?
O diabetes não tem sintomas claros. Algumas pessoas com pré-diabetes, por exemplo, podem apresentar sinais mais aparentes do que uma pessoa com diabetes. As complicações também não são iguais para todas as pessoas. É importante realizar exames de rotina, saber quais são os fatores de risco e buscar o diagnóstico.

Mito: Comer muito açúcar causa diabetes
Qual é a verdade? A resposta não é tão simples. Diabete Tipo 1 é causada por fatores genéticos e outras causas ainda desconhecidas. Diabetes Tipo 2 é causada por fatores genéticos e estilo de vida.
Estar acima do peso contribui para o risco de desenvolvimento do Tipo 2, e uma dieta hipercalórica, não importando a fonte das calorias, favorece o ganho dos ‘quilos a mais’. Algumas pesquisas mostraram que o consumo de bebidas açucaradas, como sucos industrializados e refrigerantes, pode ter vínculo com o desenvolvimento de Diabetes Tipo 2.
Uma das medidas para prevenir Diabetes Tipo 2 é reduzir o consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes, bebidas com suco de frutas, sucos e chás industrializados e bebidas energéticas, por exemplo.
Em uma garrafinha de 600 ml de refrigerante, há entre 60 e 70g de açúcar. Isso equivale a 13 pacotinhos de açúcar desses que a gente vê nas mesas de restaurante, ou a um terço de um corpo de 200 ml. É muito açúcar.

Mito: Pessoas com diabetes devem comer alimentos especiais para diabéticos
Qual é a verdade? Uma refeição saudável significa, geralmente, a mesma coisa para uma pessoa com diabetes e uma pessoa sem diabetes. Com pouca gordura, principalmente saturada e trans; moderada em sal e açúcar; privilegiando cereais integrais, vegetais e frutas. Comida ‘dietética’ quase sempre não oferece benefícios extras. Alguns desses produtos ainda contribuem para aumentar os níveis de glicose, geralmente são mais caros e podem até ter efeito laxante. A alimentação saudável é aquela indicada pela equipe multidisciplinar, formada por médicos, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, cardiologistas, podólogos e enfermeiros.

Mito: Se você tem diabetes, só deve comer pequenas quantidades de alimentos ricos em amido, como pão, batata e massas
Qual é a verdade? Depende. Alimentos ricos em amido podem fazer parte do planejamento de uma alimentação saudável, mas o tamanho da porção é a chave. Pães integrais, cereais, massa, arroz e vegetais como batatas, inhame, ervilha e milho podem ser incluídos nas refeições e petiscos. Você está se perguntando quanto de carboidrato pode comer? Isso vai depender do controle que você faz – dependendo de como estão seus níveis de glicose no sangue, você precisará comer mais ou menos carboidratos. Como a ajuda da equipe multidisciplinar e do Manual de Contagem de Carboidratos da Sociedade Brasileira de Diabetes, essa tarefa se torna muito mais fácil e natural: http://www.diabetes.org.br/pdf/manual-carboidratos.pdf

Mito: Pessoas com diabetes não podem comer doces ou chocolate
Qual é a verdade? Doces e chocolates podem ser consumidos por pessoas com diabetes, Se estiverem dentro de um planejamento alimentar combinado com exercícios físicos. Há algum tempo, eles deixaram de ser proibidos. O ‘pulo do gato’ em relação aos doces e chocolates é que eles devem ser consumidos em pequenas porções e em ocasiões especiais, ou seja, nesses dias você poderá focar as refeições em opções mais saudáveis, permitindo a ingestão de doces. Outra dica importante é evitar pular refeições.

Mito: Diabetes pode ser transmitido de uma pessoa para outra
Qual é a verdade? Não. Diabetes não é contagiosa. As causas são genéticas e, no caso do Tipo 2, associadas ao estilo de vida. Saiba mais em Tenho risco de ter diabetes?

Mito: Pessoas com diabetes estão mais propensa a ter gripes e outras doenças
Qual é a verdade? Não. Não há comprovação de que você estará mais sujeito a gripes e resfriados, mas é importante se prevenir. Pessoas com diabetes são aconselhadas a tomar vacinas contra a gripe porque a virose pode tornar o diabetes mais difícil de controlar e também porque, nesse grupo, a gripe pode evoluir mais frequentemente para complicações sérias.

Mito: Se você tem Diabetes Tipo 2 e é comunicado pelo médico que deverá começar a tomar insulina, isso significa que você falhou no controle
Qual é a verdade?
Para a maioria das pessoas, o Diabetes Tipo 2 é uma doença progressiva. Assim que diagnosticadas, muitas pessoas conseguem manter seu nível de glicose normal apenas com o uso de medicamentos orais, planejamento alimentar e atividade física. Ao longo do tempo, no entanto, o organismo produz cada vez menos insulina. A medicação pode não ser suficiente para controlar a taxa de glicemia. Usar insulina para controlar a glicose é uma coisa boa, não ruim. 

Mito: Frutas são ‘comida saudável’, então posso comer o quanto quiser
Qual é a verdade?
Frutas são alimentos saudáveis. Elas contém fibras, vitaminas e minerais. A segunda parte da frase, no entanto, tem como resposta: depende. Depende do tipo de fruta, das suas taxas de glicemia, das suas refeições e outros fatores. Por conter carboidratos, as frutas devem ser incluídas no planejamento alimentar e na contagem. Converse com sua equipe multidisciplinar sobre a quantidade, a frequência e os tipos de frutas aconselhados para você. Confira também as dicas do Manual de Contagem de Carboidratos da Sociedade Brasileira de Diabetes.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Apoio psicológico pode evitar recaída após cirurgia bariátrica


O psiquiatra e psicanalista Ronis Magdaleno Junior alerta para a importância do acompanhamento psicológico no pré e pós-operatório de mulheres que se submetem à cirurgia bariátrica – ou cirurgia de redução de estômago, como é popularmente conhecida. Para ele, há o risco de que a paciente volte a engordar ou apresentar complicações psicológicas importantes, decorrentes de vários fatores identificados em estudo apresentado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Neste sentido, o psiquiatra indica a necessidade de a equipe de saúde estar instrumentalizada para compreender e atuar de modo eficiente junto ao paciente.

Ronis Magdaleno foi orientado pelo professor Egberto Ribeiro Turato, do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria. Para fundamentar a pesquisa, ele entrevistou sete mulheres que passaram pelo procedimento no Ambulatório de Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas da Unicamp. Seu objetivo foi investigar as vivências emocionais destas pacientes, bem como as profundas modificações físicas e psicossociais pelas quais passaram.

A cirurgia bariátrica é indicada no tratamento da obesidade mórbida, principalmente quando existem doenças já instaladas no organismo. A busca pelo procedimento tem crescido de modo expressivo nos últimos anos, visto que os resultados são significativamente melhores do que outras terapêuticas conservadoras. A melhora nas condições de saúde para os portadores de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas osteoarticulares são exemplos de resultados positivos da cirurgia. No entanto, demais aspectos psicossociais como, por exemplo, a melhora da auto-estima e experiências de re-inserção social, têm um forte impacto como motivação para a decisão pela cirurgia.

“O obeso é, muitas vezes, discriminado e sofre com a inadequação social por conta de um apelo estético muito forte na sociedade contemporânea. Por isso, a crescente procura por tratamentos que minimizem ou eliminem esta condição”, destaca o psiquiatra.
No estudo, foi identificada uma série de questões delicadas e complexas relacionadas a novos conflitos experimentados pelas mulheres após o emagrecimento proporcionado pela cirurgia. Segundo ele, algumas mulheres apresentam expectativas irreais, chegando a acreditar que o procedimento e o consequente emagrecimento serão a solução para os mais diversos problemas de suas vidas. Imaginam, por exemplo, resolver conflitos emocionais e conjugais ou até mesmo relativos à imagem corporal. Também acreditam na melhora da timidez e, nestes casos, o risco de desilusão com a cirurgia e seus resultados é muito grande, o que pode levar a uma desmotivação em manter o desafio de manter a perda de peso.

Outra questão apontada pelo pesquisador diz respeito às alterações do impulso alimentar e da fome. Sabidamente, o paciente portador de obesidade mórbida apresenta problemas relacionados ao controle do impulso alimentar, muitas vezes utilizando o alimento como tentativa de resolver angústias de outra natureza. Após a cirurgia bariátrica, esta via é impedida de modo significativo pela diminuição da capacidade volumétrica do estômago, sendo a sensação de saciedade experimentada rapidamente, mas não a satisfação alimentar.

Se este aspecto não for adequadamente trabalhado do ponto de vista psicológico, o paciente pode desenvolver outras estratégias para preencher este vazio ou insatisfação, criando mecanismos compensatórios que podem resultar em desvios da compulsão alimentar para outras vias, como o alcoolismo, por exemplo. Outra destas vias seria a busca de alimentos altamente calóricos, de fácil passagem pelo estômago diminuído pela cirurgia, ingeridos em pequenas quantidades e continuamente durante o dia. Deste modo, mesmo sem ingerir grandes quantidades de alimentos por vez, o insumo calórico é muito alto, resultando em aumento de peso.

Algo que também chamou a atenção do psiquiatra foi o sentimento de desproteção que as mulheres apresentam após o emagrecimento. Ao se sentirem olhadas e admiradas pelos homens e por outras mulheres, sentem-se expostas, o que faz recrudescer conflitos relacionados à sexualidade. Os sentimentos de inveja, ciúme e competição – que estavam encobertos pela obesidade – passam a ser comuns, o que as expõe a situações novas com as quais não estão, muitas vezes, aptas a lidar.

O cuidado psicológico é uma regra no Ambulatório de Cirurgia Bariátrica do HC da Unicamp, assim como a preocupação em oferecer acompanhamento pré e pós-operatório por uma equipe multidisciplinar. O preparo para a cirurgia é longo e inclui a perda de peso antes do procedimento, o que diminui muito os riscos no pré e pós-operatórios. Estes aspectos acabam por selecionar candidatos com motivações realísticas relacionadas à cirurgia.

A realidade, porém, não é uma regra fora do âmbito universitário. Para o pesquisador, somente a cirurgia não é suficiente para um bom prognóstico e uma perda de peso sustentada ao longo dos anos, sendo fundamental o acompanhamento psicológico antes e depois da cirurgia por profissionais habilitados.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Farinha de Banana Verde e Biomassa


A banana é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo, e representa a quarta fonte principal de energia após o milho, arroz e trigo. É uma rica fonte de minerais caracterizando um importante componente na alimentação mundial.

A banana verde é considerada um alimento funcional por possuir amido resistente, o qual não é absorvido no intestino delgado, sendo fermentado no intestino grosso pelas bactérias intestinais produzindo ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que agem na prevenção de doenças inflamatórias do intestino e auxiliam na manutenção da integridade do epitélio intestinal.
É um alimento de alto valor nutritivo, recomendado para diversas patologias, por sua habilidade de estimular a proliferação de bactérias acidófilas benéficas ao homem, além de normalizar as funções do cólon. Seu consumo é indicado em casos colite ulcerativa, úlcera gástrica, nefrite, gota, doença cardiovascular e doença celíaca.

Possui uma grande quantidade de amido resistente, além de uma vasta gama de vitaminas e minerais presentes tanto na polpa, quanto na casca. O sabor é caracterizado por forte adstringência, determinada pelos taninos e, a medida que o fruto amadurece ocorrem reações desses compostos levando ao aumento na doçura e redução em sua acidez.

A farinha, principal subproduto da banana verde, é a forma mais comum de preservação tanto da banana quanto de sua casca. Pode ser obtida por meio de secagem natural ou artificial através de bananas verdes ou semi verdes das variedades: Prata, Terra, Cavendish e Nanica.
Quando bem processada , a farinha de banana verde possui um grande interesse industrial para o desenvolvimento de novos produtos, como pães, macarrões e biscoitos, podendo também vir a ser utilizada como forma de enriquecimento dos alimentos por se fonte de amido e sais minerais.

Estudo realizado por BORGES, A.M, PEREIRA, J. e LUCENA, E.M.P (2009) indica que a cada 100g de farinha de banana verde são encontrados 1.180mg de potássio podendo ser considerada uma rica fonte desse mineral. Foi encontrado também um elevado teor de cálcio, que participa de diversas funções corporais, destacando-se a função estrutural, quando comparada a farinha de trigo. Além destes, também foi constatada a presença em quantidades elevadas de magnésio.

Neste mesmo estudo, quando comparada à banana madura, a farinha de banana verde demonstrou apresentar um maior teor de ferro, zinco, manganês e cobre.
A biomassa de banana verde é um purê que atua como espessante, ou seja aumenta o rendimento dos produtos não alterando o sabor dos alimentos e ainda aumenta a quantidade de fibras, proteínas e nutrientes.

Ambos os produtos possuem um elevado teor de fibras, sendo assim promovem a saciedade e quando consumidos em adição a uma dieta equilibrada podem auxiliar no processo de emagrecimento.

BIOMASSA DE BANANA VERDE
5 bananas verdes
Levar as bananas a panela de pressão com água suficiente para cobri-las por aproximadamente 20 minutos. Depois de cozidas, descasca-las e amassar com o auxilio de um garfo até ficar com consistência de massa
Armazenar em recipiente de vidro ou plástico hermeticamente fechado, previamente higienizado, sob refrigeração por até 5 dias.

BRIGADEIRO COM BIOMASSA DE BANANA VERDE

1 xícara de biomassa de banana verde
1 e ½ colher de sopa de cacau em pó
1 lata de leite condensado diet
Misture todos os ingredientes numa panela e leve ao fogo. Mexa até soltar do fundo da panela, no ponto de enrolar os docinhos.
Deixe esfriar, enrole e passe sobre o chocolate granulado ou coco ralado.
A vantagem desse brigadeiro é que além de não sentir diferença no sabor, você não vai absorver tanta gordura (consequentemente é menos calórico!) por causa do amido resistente da biomassa.

CLAUDIA BASTOS DE OLIVEIRA
Nutricionista – CRN 8253
Pós graduando em Nutrição Esportiva
Funcional – VP Consultoria

FONTES:
ALENCAR, L.O. et al. Desenvolvimento, aceitabilidade e valor nutricional de brigadeiro com biomassa de banana verde. R. Interd., v.7, n.4, p.91-98, out./dez., 2014.
BORGES, A.M., PEREIRA, J., LUCENA, E.M.P. Caracterização da farinha de banana verde. Ciênc. Tecnol. Aliment. Campinas, v.29, n.2, p.333-339, abr./jun., 2009.
SILVA, G.M.S. et al. Avaliação sensorial de doce de chocolate “brigadeiro” com potencial funcional. Caderno Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v.  7, n. 1, dezembro, 2014.
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